sexta-feira, 28 de março de 2008

Era um homem novo

Este tópico ocorreu-me com uma daquelas conversas dos meus pais que acabam em “Ah, uma pena, era um homem novo…”.
Basicamente há uma fatalidade qualqu
er, não é morte natural… quer dizer, morrer é natural... mas é daquelas mortes mais chatas sem ser no sono e tal… bem, morrer é sempre chato… Oh, whatever! You know what I mean!
Seja como for, sabem que alguém que conheciam faleceu. Seguem-se as perguntas do costume de como é que foi e assim. E depois a “punch line” Era um homem novo…
Como, regra geral, não sei de quem estão a falar pergunto “Mas afinal que idade é que ele tinha?” A resposta, normalmente, também não é a que estaria à espera… 70, 70 e poucos…

Ora aqui está o truque! Lembro-me perfeitamente que há uns anos atrás (uns valentes anos atrás), pessoas com 70 anos para os meus pais já eram razoavelmente velhos… A diferença é que eles agora estão a caminhar para essa idade e à luz do passar dos anos a nossa perspectiva vai mudando…
E diga-se de passagem que, com o aumento da esperança de vida, até têm razão!
Sim, que os “jovens” de agora eram uma raridade há relativamente poucos anos.
Em 1920 a esperança média de vida em Portugal estava pelos 37 anos. Bem, por aí se calhar fazia bastante sentido começarem a procriar aos 14 anos… Não tinham assim tanto tempo para tomar conta deles… Ter filhos aos 30 como agora, podia não correr lá muito bem… (1)

Quando tinha 5 anos as pessoas nem sequer morriam, iam para o céu e tal. Não me parecia algo assim tão aterrador.
Claro que com o passar do tempo a morte em vez de ser ver a luz e ir ter com os anjinhos, ficou a parecer-se mais com a figura assustadora dos filmes com foice e tudo.
Aos 14 anos, pessoas com 30 anos para mim já eram velhos… Não a ponto de ser natural morrerem! Talvez em 1920…
Mas quem diria que agora a aproximar-me dos 30 ainda me sinta uma “chavala”.
Ainda não cheguei à fase das pessoas com 70 anos serem jovens. Suponho que se tiver a sorte de chegar à idade dos meus pais a sentir-me como eles venha a ter essa perspectiva. Pode ser que lá chegue, pode ser que não…

A conclusão a que chego é que a idade “ideal” para se morrer é sempre uma bem mais avançada que a nossa… Independentemente de ser ter 10, 20, 50 ou 100 anos!
Se no início da nossa vida nem pensamos que algum dia vamos morrer. Bem, sabemos que vamos morrer eventualmente mas é um eventualmente BEM longínquo.
Com o avançar da idade ficamos com cada vez mais medo da morte! Com 50 anos há a famosa crise masculina para recuperar a juventude… Vocês sabem… o desportivo descapotável, a tentativa de se enrolar com uma gaja com a idade da filha... o medo do fim ao seu máximo!
Mas pode-se tirar uma ideia positiva da crise dos 50 – quer dizer que até aos 50 anos não se tinham apercebido que a idade era assim tanta!
As mulheres parecem-me ter tendência para se aperceber disso logo… Começam com a paranóia das rugas e dos cabelos brancos aos 20!

Resumindo: É tudo jovem, desde que tenha a minha idade ou próxima… E são todos velhos! Sempre que sejam bem mais velhos que eu!

(1)
http://www.ics.ul.pt/investiga/projectos/sitsoc/cap/0115.htm


Toilet Flush

domingo, 2 de março de 2008

Cães e veículos motorizados

Quem não gosta daquelas criaturas peludas, com uma produção geralmente exagerada de baba, com aquela distinta expressão de otárias no focinho, com tendência para comer um quantidade exagerada de comida e mesmo assim fazer olhinhos de quem não come há semanas?! Claro que estou a falar de cães… What else!?
Com este tipo de descrição supostamente seriam bastante fáceis de decifrar… mas isso seria se se comportassem de acordo com algum tipo de lógica… o que nem sempre acontece!

Vamos começar pela “infância” canina. Arranjam-se ossos, bolas e uma data de tralhas para libertarem a grande quantidade energia destrutiva que têm. Mas resulta!? Claro que não!
Qualquer tipo de calçado é muito mais interessante! Deve ser a vingança das patas descalças! Também pode ser pela variedade de sabores – peles, tecidos – misturado com o verdadeiro “eau de” chulé! Dá um toque especial certamente…
Parece que têm um olfacto muito apurado mas têm umas preferências muito esquisitas… “Olá! Não estou bem a ver quem és… Hum… Mas aposto que se te cheirar o “ass” sei logo!”

Há características que se vão manter ao longo de toda a vida de um cão.
Como a habilidade para se posicionarem sempre no local onde mais incomodam. Quando se diz para saírem do sítio onde estão, só se pode prever que vão para outro sítio ainda mais chato do qual ainda não nos tínhamos apercebido.
É a obsessão pelo contacto com os donos, nem que seja por meio de pisadelas e tropeções… Em que normalmente o dono é que se torce todo para não os magoar.

Já se sabe que com um cão o love é sempre though… “Ena, ena, estou tão feliz! Agora vou mandar-te ao chão, babar-te todo e depois dou-te uma sova de cauda! Boa!?”

Agora no top das coisas sem lógica que os nossos amigos caninos fazem está o correr atrás de carros ou motas e ladrar às rodas…
Que corram atrás de gatos, ratos e afins, ok até pode ser, é o instinto animal da caça, blá blá blá… Mas, se têm um olfacto tão apurado já se devem ter apercebido que aquilo cheira mal mas não cheira a bicho nenhum que conheçam… E certamente não estará na memória da espécie como algo que se coma… Manadas e manadas de carros e motas! Ou então não!
Se calhar, acharam piada ao carro ou à mota (principalmente às motas) e querem conduzir. Não sabem conduzir mesmo! Bem, se for por cobiça, ao menos têm bom gosto… bikes! A intercepção é que, regra geral, corre mal para o cão, para o motociclista ou mesmo para os dois… Conduzir é em cima da mota não por baixo das rodas… dahhh!
Segundo o Garfield será o “chamamento” irresistível para enterrar objectos. O Oddie enterrava os carros no quintal, nunca se sabe quando poderiam vir a dar jeito…!? Mas lá está a falha de lógica outra vez, quando enterram é para guardar para usar mais tarde… Mas vão fazer o quê com o carro ou a mota mesmo!?

Quer-me parecer que os cães não são lá muito movidos pela razão…
Mas já tiveram tantos encontros imediatos com carros e motas que já deviam saber que pode ser má ideia dirigirem-se para a luz no meio da escuridão, pode não ser a salvação mas antes o contrário… Que a chapa é dura, que as presas (carros e motas) nem sempre se desviam e que pode doer!

Toilet Flush

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Vício da doença

O Vício de estar doente, não sei se é exclusivo do nosso país, mas desconfio que sim.
Acho que vem a par com o sentimento de coitadinho. Gostamos de ser os coitadinhos e há maior razão para ser coitadinho do que estar doente!? Sim, é razão mais pertinente, porque o importante é a saúdinha… se não há saúdinha… já sabem, coitadinho!
Até os nossos telejornais exploram esta nossa faceta de coitadinhos, a não ser que exista um acontecimento altamente escandaloso (é o que “vende”) que dê para explorarem até à última gota dando notícias que não o são (tipo… Maddie!?), gostam sempre de partilhar a história de um(a) desgraçado(a) qualquer com “o país”. E seja por uma razão ou por outra, é um bom recurso, desgraçados há sempre!

Há desgraçados de vários tipos mas os que mais enternecem o “povão” é o doentinho! O coitadinho que por mais que faça não tem acesso aos cuidados médicos que precisa. A questão que se põe é: Estamos em Portugal! Mas há alguém, sem ter uma pipa de massa, que tenha efectivamente acesso aos cuidados médicos que precisa, e também muito importante, na altura em que precisa!?
Exacto! Na verdade a empatia não é por piedade, é por se sentirem identificados! Na verdade somos todos coitadinhos, que é como nós gostamos.
A única maneira de nos safarmos de ser coitadinhos, é não adoecermos de todo. E é difícil convencer as pessoas por cá que não estão doentes!

Mas mais do que as “histórias da vida” com que os nossos telejornais nos presenteiam diariamente, há sempre uma notícia para a saúde… Ou melhor, sobre a doença.
Ele é cegos, diabéticos, hipertensos, stressados… E depois a cereja no topo do bolo, a estatística de quantas pessoas existem com aquele problema! E raramente é menos de 1 milhão de pessoas com aquela doença. Eu desconfio que é a contar com os doentes, os que são mas não sabem, os que não são mas vão ser…

Ora se temos 1 milhão de pessoas por doença no país, tivermos em conta que temos sensivelmente 10 milhões de habitantes e que certamente existem bastante mais que 10 doenças a aparecer na televisão como alarmantes… Ou somos todos, sem excepção, doentes e a maioria acumula umas quantas doenças… ou para haver alguém saudável há outra que deve reunir as doenças todas… Um que acaba por ser cego, surdo, mudo, diabético, hipertenso, sei lá mais o quê, e com tanta doença, não admira que seja stressado!

Não digo que de facto não existam muitas pessoas com aquelas doenças, que muitas vezes são doenças provocadas por hábitos pessoais e que até deve haver algum motivo para alarme para o problema não se tornar maior. Mas acham mesmo que a política do terror ajuda? Que o senhor ou senhora está doente, todos percebem, o difícil é convencer as pessoas que aquilo não foi azar mas sim consequência dos seus hábitos, que por acaso são partilhados por grande parte da população…

O Vício da doença acentua-se com a idade. Claro que pessoas com mais idade têm maior tendência para acentuar as doenças que já tinham antes e arranjar novas, mas acredito que se a esperança de vida é cada vez maior se calhar é porque fisicamente estão em melhores condições e por isso vivem mais tempo. É que se for para estar igual ou ainda mais doente mas durar mais tempo não parece fazer sentido, além de ser mau negócio!
De certeza que já ouviram os debates acessos entre comadres para decidir afinal quem está mais doente. Esgrimem convictamente com todas as doenças que têm e os vários medicamentos que têm que tomar (sabem sempre o nome deles todos). No final, raramente alguma se dá por vencida e declaram um empate técnico. Mas ficam felizes porque são pelo menos tão desgraçadinhas como a outra.
E se algum dia for essencial saberem com exactidão o tempo que vai fazer amanhã, é só perguntarem a qualquer senhora mais idosa como é que está dos ossos…

A ancestralidade deste vício vê-se pela adoração e deferência que prevalece pelos “dealers”… Claro que estou a falar dos médicos!
O Sr. Doutor tem sempre razão, excepto quando diz que não está doente, nesse caso é incompetente. Podem inventar as doenças que quiserem que até agradecem, dizer que até se é saudável, isso é que não!
E os Srs. Doutores, que gostam do tratamento real, já aprenderam o jogo, quando alguém se queixa de alguma coisa existem vários princípios que se devem seguir: assumir que é necessário tratamento, receitar os medicamentos e mandar fazer os exames depois. Quando se cumprem estas regras, o trato com os pacientes é irrelevante, podem ser as maiores bestas, porque a resposta vai ser sempre “Sim, Sr. Doutor!”.

Já me aconteceu uma conversa deste tipo:
- “Não estou a ver nada… Mas vou-lhe receitar isto, isto e isto.”
- “Se não está a ver nada de mal, se calhar é melhor esperar que passe...”
Escusado será dizer que receitou os medicamentos na mesma.

Médicos são na verdade p&%$s finas, as pessoas pagam, eles acabam por fazer o que as pessoas querem e deixam-nas deslumbradas, a parte fina é que, eles é que são as p&%$s mas depois as pessoas é que são tratadas abaixo de cão… e deixam!

Será Fetiche?

Toilet Flush

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

SOS

Este tema surgiu por causa do som irritante de um telemóvel (o meu…) no decurso de uma refeição.
Ouve-se o som estridente de um som de mensagem escrita de um telemóvel Nokia…
“Sabes o que quer dizer este som? Isto é S, M, S, em código Morse.”
E eu a pensar que para mim quer dizer sms porque fui eu que pus nas definições que era este o som para as sms… se fosse a “Macarena”, para mim a “Macarena” é que significava sms!”
Entretanto começam a pensar como é SOS em código Morse, provavelmente a primeira coisa que aprendem quando aprendem código Morse, mas o conhecimento ainda oferece a sua resistência a deixar-se partilhar com os restantes…

Agora se juntarem o que disse sobre o facto de o som de sms para mim significar sms porque eu o reconheço como tal, não porque é Morse, e a dificuldade de quem sabe se lembrar como se escreve SOS nessa mesma linguagem… Código Morse é giro, até tem nome de bicho gordo marinho, e até acredito que pode dar jeito… Bem, talvez mais num ambiente militar, se bem que nem os militares no geral parecem perceber muito da coisa… Tendo em conta o desconhecimento geral da linguagem pode ser usada como código, e isso dá jeito! Mas o mais importante que tudo é que o receptor perceba!
- “Então o que é que estão a dizer!?”
- “di di di da da da di di di… Hum?!”

Dá jeito ter uma lanterna quando não há iluminação, assim na ideia geral que dá jeito ver por onde se anda quer se esteja em apuros que não. E claro que é uma ferramenta útil para se ser encontrado, a luz no meio da escuridão! Quem diria que lanternas podiam ser poéticas. Seja como for, eu aposto mais na poesia de um foguete de sinalização mas, apesar de ser uma gaja e haver a ideia de uma certa tendência em andar com a casa dentro da mala (a psicose da prevenção), não é algo que tenha na mala “just in case”!
A questão é que não me parece que numa situação de stress me lembre como se escreve SOS com uma lanterna e depois é uma possibilidade, ó azar dos azares, até se fazer os sinais todos certinhos e o gajo que vê… “Olha! Uma luz a piscar! Ahhh, deixa estar, deve ser uma rave…”

Há histórias de vítimas de terramotos que ficam soterradas baterem na canalização para serem encontradas… Eu diria que as equipas de salvamento não vão ignorar um som só porque não é SOS em código Morse, pode ter a ver com o facto de estarem a ouvir qualquer coisa debaixo de escombros! Só uma ideia…
“Espera aí, estou a ouvir qualquer coisa! Ora deixa cá ver, TGHJKIR, ahhh esquece, não deve ter importância. Não é SOS!”

Acho que esta linguagem tem mais sentido em comunicações antes das coisas correrem mal e isto é supondo que não têm um telemóvel… Quando correm mal, todos os que entretanto lá chegarem sabem disso e não é preciso tradutor para saber que se se ouvem ruídos/gritos é porque a pessoa está em apuros!

Mas saber não ocupa espaço, a não ser armazenado no disco de um computador, por isso cá está o SOS em código Morse:

“SOS é o sinal enviado em situações de emergência. Quando enviado em código morse consiste em três pontos (correspondente à letra S), três traços (correspondente à letra O) e novamente três pontos (· · · — — — · · ·) - oralmente diz-se "di di di da da da di di di".
Não significa Save our Souls ou Save our Ship como correntemente é dito […], mas porque a combinação dos três pontos seguidos de três traços seguidos de três pontos é facilmente reconhecível numa transmissão em código morse, mesmo com interferências.” (1)
Toilet Flush

(1)
http://pt.wikipedia.org/wiki/SOS

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

The Birds and The Bees

Sexualidade, um tema quente da actualidade agora que todos, ou quase todos, estão conscientes que DSTs (Doenças Sexualmente Transmitidas) existem e são uma possibilidade bastante real. Para além deste forte inconveniente de umas “cambalhotas”, existe o mais antigo de todos… as contas de matemática trocadas – 1 + 1 afinal pode dar 3!
É do número três da soma que quero falar, de quando surge a pergunta “De onde é que vêem os bebés!?” e das várias formas de florear a coisa que os 1 + 1 arranjaram!
A piada da coisa é que, se antes as crianças já sabiam mais do que lhes ensinavam, agora sabem ainda mais, e agora começam pelo que “interessa”… É mais ou menos no seguimento das primeiras palavras que se aprende de uma língua estrangeira serem precisamente as asneiras… Nada mais importante que praguejar na língua correcta!
O que quero dizer é que deve estar mais difícil enganá-las com uma história qualquer.

Todos conhecem a história da cegonha! É que era difícil arranjarem uma desculpa mais estúpida que esta…
- “Ó pai, de onde vêm os bebés?!”
- “São as cegonhas que trazem”
É que nem é preciso a criança saber muito de antemão, basta algum raciocínio básico que até é mais aguçado que o dos pais…
- “E porque é que a mãe fica sempre muito gorda antes da chegada da cegonha!?”
Ahh… Pois!
Sim, o que mais já se viu praí foram cegonhas a transportar bebés, é o pai natal para o presentes e as cegonhas para os bebés… Será que também têm duendes a fabricar bebés…
- “Fabricar como?”
- “Isso agora não interessa, vai já para a cama!”
Bem, nunca vi nenhuma cegonha a transportar bebés mas também não sei de nenhuma electricista e supostamente foram responsáveis pelo apagão… ;)

Depois também há a versão pai jardineiro, mãe jardim.
- “De onde vêm os bebés!?”
- “Sabes o pai põe uma sementinha na barriga da mãe que depois cresce e dá um bebé!”
- “Põe a semente como!?”
- “Isso agora não interessa, vai já para a cama!”
Os pais parecem ser péssimos contadores de histórias, aliás, nem histórias arranjam, é só mesmo o tópico geral… falta-lhe a imaginação para o desenvolvimento!
Acho piada a esta história porque tem um quê de verdade. Têm é que afinar com o método de semeio… ;)

Agora a versão que eu não consigo imaginar como é que é explicada é a dos Birds and the bees… Como é que se metem pássaros e abelhas à molhada e vai dar em bebés!?
The flowers and the bees ainda vá, as abelhas são especialistas em “engravidar” plantas com flor… E são “pais” fdp’s, engravidam a desgraçada (polinizam), roubam as poupanças (néctar) e só aparecem novamente quando as mães já se encaminharam a ninhada anterior e juntaram novas poupanças! Não há condições!
The flowers and the birds também dá, os beija-flor são bastante conhecidos, e beijoca a beijoca, fazem das suas.
Agora pássaros e abelhas… as abelhas dão uma ferroada nas pássaras e engravidam-nas!? Havia de dar umas crias lindas… ou então não!

Acho que estas explicações versão Disney de fazer bebés sempre vão existir, deve ser parte integrante de ser pai não resistir a tentar florear a coisa. Mas parece-me que nos tempos que correm vão parecer extremamente inúteis… Especialmente quando o alvo da “peta” perguntar algo como:
“Mas então para que é que dás “quecas” com a mãe!?”

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Eu e a calçada…

O que eu gosto é de especialidades portuguesas. E afinal de contas, há alguma coisa mais tuga que a calçada… sim, acertaram, portuguesa!?
Tenho uma relação de amor-ódio com a dita.

Sim, concordo que tem o seu apelo estético. Bate qualquer passeio de betão aos pontos! E já que temos tendência para ter tudo pior que os outros “parceiros” da U. E. (sistema de saúde, salários, etc.) ao menos nisto damos-lhes abada! "Kick their asses!" O nosso passeio é muito mais (melhor bom) bonito que o deles! Nha nhanha nha nha nhaaaaa!
Além de ser uma das artes que se está a perder, o que lhe dá ainda mais charme.
Já se sabe, se é uma actividade antiga e está para desaparecer, passa a arte! Dá um certo sentimento de nostalgia e aquela ternurazinha, salvem a calçada portuguesa!

Quando tenho a infeliz ideia de levar algum tipo de calçado de salto alto, ainda por cima assim para o delgado, e o salto decide ficar para a conversa com a calçada e despedir-se do resto do sapato… Aí, lá se vai o sentimento de ternura e imagens de um batalhão de trolhas com martelos pneumáticos e um camião cheio de betão surgem…
Ok, respira! Conta até 10, a calçada é mesmo gira!

Chove, e até fui uma gaja racional e levei ténis… ténis é para andar, correr e, quando a calçada portuguesa polida e molhada entra em acção, patinagem! Ora, eu nunca fui grande ás na patinagem e até tenho amor aos meus ossos, inteiros de preferência!
Mas há que ver as coisas na melhor perspectiva, patinagem artística desenvolve a nossa capacidade física, potencia um melhor equilíbrio e também é bonito! Na verdade a nossa calçada portuguesa não está a ameaçar a nossa integridade física, só está a “partir-nos todos” até dominarmos a arte (mais uma e sempre de louvar) da patinagem sem patins mas com ténis em calçada portuguesa polida…

Pode estar a chover ou não… mas penso… Tenho que andar na IC19 e 2ª circular, vou de mota! Para quem não sabe, vou mostrar-vos o caminho da luz, mota é melhor que quimioterapia para atravessar o cancro que são estas duas vias!
Chego a Lisboa (garantidamente primeiro que qualquer infeliz que decidiu sair à mesma hora que eu, mais ou menos do mesmo local, mas de carro… É que nem com a “pressa política” (aquela que envolve escolta policial ao barulho) dá…) e há que encontrar sítio para estacionar. Parque para motas, claro não é!? Até é obrigatório… Nops, errado! Lugar para carros é que dá dinheiro! Duhhhh! E toda a gente sabe a situação das finanças de Lisboa coitadinhas! Eu cá ia espreitar nos “bolsos” dos que tiveram no poleiro antes… mas isso sou eu…

E nem pensar em estacionar no lugar de um carro, a não ser que achem que não há problema em encontrarem a vossa mota a dormir uma soneca num contacto up close and personal com o asfalto porque uma lata achou que ela estava a atrapalhar…
Eis que surge como uma luz ao fundo do túnel… a calçada portuguesa, que é como quem diz, o passeio! Põe-se assim bem encostado de forma a não incomodar os peões, põem-se os 40 000 cadeados (mota é pior que esposa na época medieval, os(as) donos(as) põem-lhes todos os cintos de castidade possíveis, últimos gritos em tecnologia se houver dinheiro para isso! Paranóias… ;) ) e está maravilha!
A miragem fica mais negra quando se repara no quão polido parece o lancil que tem que se subir… Se não se reparou acaba por se dar conta quando a roda da mota tem um deslize…
Se se reparou, vai-se preparado, é pôr o mais perpendicular possível e cá vou eu… Não há cá dúvidas existenciais, isto é para gente decidida! “Ah e tal mas não sei se quero subir…”, parar a meio pode ser mesmo muuuuito má ideia… Principalmente quando não se é exactamente uma viga! Quando o mundo parecer estar a deitar-se… és tu a cair! Sai debaixo da mota, os plásticos não crescem como os ossos mas ao menos compram-se! Lol

Quando nem tudo corre como o esperado a calçada portuguesa faz a sua “costumização” à nossa mota… “F!#% da p&/$!!! A minha querida motinha!” Nada disso! Pelo menos não te estampaste contra nada, foram “só” plásticos e aprendeste a desconfiar de superfícies luzidias…

Lembrei-me de outra vantagem da calçada portuguesa, porque é tradicional, está em zonas importantes da cidade e é chata de fazer como tudo, quando se lembram de instalar canos para isto ou aquilo certificam-se que mexeram em todos os canos que queriam nos próximos meses para não terem que voltar a fazer aquilo e até nem se esquecem de voltar a fazê-la…
Já com passeios de betão, primeiro vem a companhia do gás, que abre uma canal pelo passeio, fecha, depois aparece a companhia de electricidade 1 mês depois que reabre exactamente o mesmo canal, fecha, "and so on and so on"… Cada um quer um buraco só seu para se enterrar…
E depois há sempre a possibilidade de se esquecerem de um buraco com 1 metro de profundidade sem sinalização… "Yeap, you got it! Been there, done that…"
É interessante quando o chão foge repentinamente dos nossos pés e numa altura estamos a olhar para a cara de uma amiga e noutra para os pés da mesma…
Por sorte conservei todos os ossos do corpo intactos e deu para umas quantas gargalhadas, mas é fofo não é!?

Agora já sabem, quando se depararem com a nossa amiga calçada portuguesa, cuidado, está cheia de lições para dar… "Tough love!"


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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

“You’re mine! Mine! My preciousssssss…”

Os humanos partilham 99,4% do código genético com os chimpanzés. Aliás, segundo uma equipa de pesquisa genética americana os chimpanzés deviam pertencer ao género Homo… (1) Acho que se calhar os humanos é que se calhar deviam ser “reclassificados” como pertencentes ao género Pan… Somos uns chimpanzés esquisitos, assim para o careca, mas ainda assim, chimpanzés! Afinal de contas o género Pan é o ancestral e chegaram à conclusão que os humanos não são suficientemente diferentes para terem um género só deles. Mas não se preocupem que isto não vai acontecer, o nosso ego não o permitiria, nós (humanos) temos a mania que somos os “special ones”.

A característica que nos aproxima mais dos chimpanzés é a vida em sociedade. (2) A interacção constante com indivíduos da mesma espécie que implica um maior número de conflitos “internos” (rolo da massa, ring any bell!? Hum?! Maybe!?) mas também uma maior protecção contra adversidades (ambientais ou outras espécies), basicamente, “uma mão, lava a outra”.

Agora passo à parte verdadeiramente interessante, e sendo interessante é claro que estou a falar de sexo… you pervs! ;) À interacção entre indivíduos da mesma espécie mas de sexos diferentes.
No género Pan apesar de grandes diferenças entre diferentes grupos/sociedades (tal como a sociedade Ocidental é diferente da sociedade Oriental, os diferentes grupos desenvolvem comportamentos sociais distintos) há uma consistência na organização “sexual”.
São polígamos! Ou melhor, se há monogamia é por imposição. Os grupos são bastante grandes e pode haver um macho ou uma fêmea dominante.
No primeiro caso as fêmeas são monógamas mas é por imposição… E tal como muitos Homo fêmea… claro que “pulam a cerca” sempre que podem! E quando muda o macho dominante (que não é assim tão raro) também mudam de parceiro. (É para quebrar a rotina…)
No segundo caso são os machos que supostamente são monógamos… e já se sabe que o “pular da cerca” ainda é mais fácil para os machos. Não aparecem grávidos!

E não, a homossexualidade não é exclusiva de humanos. Os machos e as fêmeas dos chimpanzés formam grupos separados dentro da “sociedade”. Ora, como o cio não é todos os dias e parece que os machos têm que aprender umas quantas regras de boas maneiras… as moças têm que se entreter… umas com as outras!
Quando chega o cio, o “Brutus” pode tirar uma casquinha mas o resto do tempo é “girls only”.

Se formos ver as várias sociedades humanas, acho que a organização sexual é um ponto em que as sociedades não se entendem! Há para todos os gostos e feitios, pode ser monogamia, poligamia com macho dominante ou poligamia com fêmea dominante (sim, também há disto).
Mas o que conhecemos é a monogamia, ou pelo menos é o que é permitido legalmente.
Ora, se o género Pan que nos é tão próximo é consistentemente polígamo… como é que nós nos lembrámos desta?! É que não tem nada a ver… mesmo nada!

Aqui vai a minha teoria. Monogamia parecendo bem mais “boring” facilita bastante as coisas.
As nossas sociedades são enormes logo seria inviável um único homem ou mulher dominante… (yeah, yeah, keep dreaming! :-p) E não há nada mais humano que querer ter algo, ter posse. Ter uma casa, um carro, o que for, só nosso.
A poligamia complica muito as coisas neste sentido. Alguém (mulher ou homem) ia ter propriedade exclusiva mas o “harém” teria que partilhar. Quanto a mim isso tem tendência a dar mau resultado já que na nossa sociedade (não em todas as sociedades humanas infelizmente) todos os homens e todas as mulheres podem e querem ser dominantes.
Podem não admitir, mas é intrínseco! Até no género Pan (todos querem ser dominantes mas nem todos conseguem), só que actualmente na nossa sociedade não é aceitável resolver as coisas “Pan way”, que é como quem diz, fazer um basqueiro e espancar todos os outros.

A solução mais fácil é mesmo a monogamia, um homem tem uma mulher só para ele, e vice-versa. Claro que com as nossas tendências polígamas isto não funciona tão bem como para as aves (casais para a vida), depois pode-se chegar à conclusão que não era bem aquele homem ou aquela mulher que se queria, mas também se arranjou solução para isso. Mas a ideia é: uma tentativa de cada vez!

Claro que há sempre quem ache que se safa com a poligamia e eventualmente deve haver quem efectivamente se safe… Não porque o “harém” concorde mas existe muito homem e muita mulher um bocado “dumb”! Mas regra geral pode haver uma interacção “Pan way” e nem monógamos ficam…
E tendo em conta que Portugal é bastante dado a resoluções destes problemas algo drásticas (crimes passionais), se calhar não ficam… Caput! The End! “D – E – E – D, Dead!”

Basicamente, não somos monógamos naturalmente mas porque é mais fácil viver em sociedade assim.
Isto não é uma desculpa para os “infidels” (see Achmed (3)), afinal de contas… não são chimpanzés! Ou são?!... Hum…

Toilet Flush

(1)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030520_chimpanzeaf.shtml
(2) http://dba.fc.ul.pt/ant-bio/TA_2007/C1_49_Cuida_Parent_nos_Homin_Com.pdf
(3) http://www.youtube.com/watch?v=1uwOL4rB-go